Meio ambiente urbano e seus desafios na sociedade atual

O meio ambiente urbano se constitui em um ambiente artificial, transformado pelo ser humano conforme suas necessidades. Fruto da urbanização desenfreada principalmente pelos países periféricos, tem-se a problemática ambiental urbana, que se agrava cada vez mais, à medida que as cidades se expandem. Verifica se que o século XIX marcou profundamente o avanço da urbanização em concomitância com o crescimento populacional, e conseqüentemente um maior consumo dos recursos naturais gerando sérios desequilíbrios para o meio ambiente, como: efeito estufa, desmatamentos, poluição dos rios entre outros. Neste contexto toda qualidade, saúde e segurança estavam comprometidos levando a repensar em nossas atitudes como poderemos mudar este panorama atual, visto que nosso futuro estará ameaçado, Mediante uma sociedade cada vez mais materializada.

INÍCIO

A gestão do meio ambiente urbano representa um desafio complexo para as sociedades contemporâneas. Pois, não se trata apenas de considerar a preservação dos recursos ambientais, mas também de assegurar condições de vida digna à população, de modo a garantir que parcelas da sociedade não sejam excluídas do processo.
Tanto o meio ambiente natural, quanto o meio ambiente transformado, é resultado da ação do homem e da sociedade, assim deve ser entendido como, meio ambiente social. Além disso, tendo como base a apropriação do solo urbano, a mesma acabou desencadeando uma série de problemas, dentre os quais, a ocupação e exploração inadequada do ambiente natural urbano.
Não é de interesse desse trabalho, discutir questões como, as de saneamento ou lixo, por exemplo, que, apesar de serem diretamente ligadas à problemática ambiental urbana e interferirem na qualidade de vida dos citadinos, transcedem as reflexões de análise do presente momento. E sim, apresentar uma breve discussão sobre o meio ambiente urbano.

2 MEIO AMBIENTE URBANO

A respeito de cidade, é imprescindível pensá-la enquanto materialização das condições gerais do processo de produção em sua totalidade. Em concomitância, o processo geográfico se cria e se desenvolve à medida que a sociedade desenvolve-se. Tal fato acontece por meio do processo de produção, isto é, pelo trabalho, o que torna a sociedade cada vez mais materializada. Além disso, é preciso partir de conceitos, os quais auxiliam na compreensão, a sua constituição e as transformações pela qual a cidade passa. Respaldar nessa vertente significa pensar a cidade a partir da espacialidade, das relações sociais em sua natureza, social e histórica. Assim, em cada uma entre inúmeras etapas do processo histórico, a cidade assume formas e características distintas.
Além disso, observa-se que durante o século XIX não havia tantas cidades como atualmente e, que os maiores centros urbanos concentravam-se em países que apresentavam rendas mais elevadas. Identifica-se ainda, já no século XX, que as maiores cidades encontravam-se também em países que possuíam baixas rendas. Para Ribeiro (2003), essa alteração geográfica resulta no agravamento da desigualdade sócio-espacial, gerado pela excessiva concentração da riqueza, que assola o mundo contemporâneo e por limites da base natural.

3 AMBIENTAL X SOCIAL

É muito comum associar-se o ambiental simplesmente ao natural, no entanto sabe-se que o ambiente toma proporções muito mais amplas, sendo que é na cidade que acontecem as relações sociais, na qual está intrisicamente ligado ao “natural”. E o que seria o natural hoje?
Santos (1997) atribui a natureza ao artificial, instrumental. Ou seja, a natureza é (re) produzida de acordo com os interesses dos agentes que atuam no espaço. O ambiental seria, então, o resultado das relações ente o natural e o social, tendo tempos diferenciados.
Sem dúvida que a cidade tem uma grande capacidade social de transformar o espaço natural, no entanto, não deixa de ser parte da natureza e de submeter-se às dinâmicas e processos naturais. Ao observar o curso da história, percebe-se que antes da mecanização o homem via a natureza como divina, extraindo dela apenas o essencial a sua sobrevivência. No entanto, outros valores começam a ser substituídos.
Essa ampliação do meio técnico científico tem como principal agente o capital, que modela os espaços, impondo novos hábitos, acelerando o tempo social. Lefebvre afirma que,
Sendo assim, a natureza passa a ser vista como bens disparáveis ao homem e, a cidade, e uma das expressões mais contundentes da capacidade social de transformar a natureza em mercadoria, como afirma Spósito (2003), que a cidade é vista como contraponto da própria cidade, ou seja, a cidade é considerada, por excelência, a não-natureza.

4 A NOVA FACE DO PLANEJAMENTO URBANO

Como fruto da urbanização desenfreada vivenciada principalmente pelos países periféricos, tem-se a problemática ambiental urbana, que se agrava, cada vez mais, à medida que as cidades se expandem. Como se sabe, o século XIX marcou profundamente o avanço da urbanização, pois as aglomerações urbanas sofreram um intenso processo, que resultou nas condições atuais das cidades, que concentram, cada vez mais, grande parte da população mundial.
Desse modo, os governos municipais enfrentam grandes dificuldades de controlar o uso e o desenvolvimento das cidades. Dessa maneira, o crescimento das cidades fica entregue, principalmente, ao comportamento dos mercados imobiliários, que possuem como objetivo principal o atendimento imediato às demandas dos diferentes setores da cidade.
Tem-se pela primeira vez na história brasileira uma regulação federal, para as políticas urbanas, definindo uma ocupação de intervenção no território.
Para isso, o Estatuto da Cidade coloca à disposição dos municípios uma série de instrumentos, que podem intervir no mercado de terras e nos mecanismos de produção da exclusão. Dentre eles, uma nova estratégia de gestão, que incorpora a ideia de participação direta da sociedade, em processos de decisões sobre o destino da cidade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De maneira geral, vários autores destacam as variáveis utilizadas para se definir o padrão de qualidade ambiental de um determinado espaço geográfico, enfocando a necessidade de integração das políticas públicas, como os planos e programas governamentais que devem respeitar os aspectos ambientais, os quais, muitas vezes, não são considerados.
Convém ressaltar, que o advento da indústria contribuiu para o processo de intensificação da urbanização mundial, fato este, percebido no Brasil, de forma mais acentuada a partir de 1950, quando houve um estabelecimento de um grande contingente populacional nas cidades, em busca de trabalho e melhores condições de vida.
Vale salientar que, há uma associação do ambiental apenas com o natural. Quando se sabe, que deve haver uma amplitude nessa associação, de forma a analisar a cidade como o espaço onde acontecem as relações sociais, a reprodução da vida, além de estar diretamente ligada ao ambiente “natural”.

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